A dificuldade de formar atletas

   As escolas não cumprem o seu papel

A maioria dos atletas inicia sua carreira nos esportes  ainda jovem, ainda em idade escolar, e se desenvolve por anos até chegar ao alto nível de rendimento. Mas no Brasil, as escolas não têm focado muito nos esportes. As aulas de educação física normalmente enfatizam as praticas e não a formação do atleta. A questão é que a descoberta de novos talentos esportivos pressupõe uma seleção, enquanto a Educação Física Escolar objetiva a inclusão. Quando a cobrança pela descoberta de futuros atletas surge da sociedade e dos órgãos públicos, é necessário evidenciar a Educação Física Escolar como uma disciplina escolar igual a todas as outras.

Para Mauro Betti, pesquisador da Unesp e líder do Grupo de Estudos Socioculturais, Históricos e Pedagógicos da Educação Física, “todo mundo concorda que a escola deve ensinar língua portuguesa e matemática. E por quê? Porque são conhecimentos indispensáveis na sociedade atual. Ninguém pensa que se deve aprender a ler e escrever para ganhar o prêmio Nobel de Literatura”. E porque não levar a Educação Física mais à serio?
Segundo a professora doutora do Departamento de Esporte da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), Maria Tereza Böhme, o Brasil não tem a cultura de formar atletas na escola. O verdadeiro celeiro de atletas de ponta do Brasil, explica a professora, não está nas aulas de educação física e sim nos clubes esportivos.

Nem todo projeto de sucesso tem um final feliz

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Equipe matiense campeã dos jogos de Minas 2015

Em cidades pequenas e sem muitos clubes de expressão, como Matias Barbosa, os principais apoios vêm principalmente de programas esportivos oriundos da prefeitura. Um dos projetos que obtive grandes resultados atualmente foi o programa de Handebol da cidade que buscou junto à patrocinadores a briga pelo titulo de melhor equipe juvenil do país por 3 anos seguidos, cedendo varias atletas a diversos clubes. O projeto então teve de ser cancelado por falta de verbas. Jorgianne Oliveira, 16 anos, afirma que “o nível caiu cem por cento em resultados (De terceiro melhor  equipe do País para segundo melhor da  “micro região”). Ai paramos de ter novos materiais esse ano, quase não temos bolas e muito menos atletas”.

Leandro Mattos, auxiliar do departamento de esportes de Matias Barbosa, perguntado sobre o fim de um projeto de tanto sucesso, ponderou: “O Handebol nos trouxe muita visibilidade nacional e muitas alegrias. Mas infelizmente a crise chegou, o projeto era custeado com recursos de empresas como Natura e MRS e também com o apoio do comércio local, esse recurso caiu bruscamente no meio de 2015 e foi ficando inviável a continuidade do mesmo. Achamos que não seria justo empregar grandes recursos municipais em um projeto que atende poucas atletas, deixando assim de investir no fomento ao esporte local. Uma grande perda para o esporte matiense, mas que foi inevitável.” Mesmo com o fim do programa, o município conseguiu ceder 11 atletas para a seleção mineira e uma atleta para a seleção brasileira juvenil de handebol.

O apelo independente na busca de novos atletas

Assim como outros esportes que se destacam, o caminho natural do futebol americano no Brasil foi o surgimento de atletas, equipes e público nos jogos. Porém, falta  incentivo para esses atletas, já que é um esporte caro, os equipamentos não são baratos em nosso país, muitas vezes os próprios atletas custeiam seus  equipamentos simplesmente pela paixão à pratica do esporte.

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Jogadores unidos pós partida da LIZMAT realizada em Bicas-MG

Na região da Zona da Mata mineira, existem diversas equipes que sem muito apoio de órgão público seguem praticando e atraindo mais atletas para suas causas. Para Leandro Bonfá, presidente e treinador da equipe do Ubá Tupãs, o inicio foi algo difícil.  “Comecei a procurar pessoas pela internet que também gostavam do esporte e às vezes dava uma de vendedor parando as pessoas na rua e as convidando para se juntar à recente equipe e até que em um mês mais ou menos consegui pessoas o suficiente para montar um time em ubá”. Com a crescente demanda de times uma liga foi criada, a LIZMAT (Liga da Zona da Mata de Futebol Americano), organizada principalmente pelas equipes mais experientes da região.  Laércio Azalim, um dos idealizadores e dirigente da liga, comentou sobre a dificuldade de criar uma liga independente. “A grande dificuldade dessa liga foi fazer os representantes entenderem os objetivos da mesma. Mas isso durou pouco, eles rapidamente entenderam e entraram em sincronia. Após isso tudo ficou mais simples, proporcionando a quebra de problemas, tais como a falta de apoio externo”.

Visibilidade gera frutos

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A LIZMAT hoje é composta por 6 equipes de 5 diferentes cidades, algumas equipes ainda engatinham para terem condições reais de treinos. Já que não é um esporte tão popular, é difícil conseguir campo e equipamentos 100% disponível para o FA. A prefeitura de Matias Barbosa prontamente mostrou apoio à equipe da cidade, o MB  Primatas.  Leandro Mattos   comentou o apoio ao novo esporte: “A Divisão de Esportes busca proporcionar aos esportistas matienses diversas oportunidades, seja nos projetos próprios ou apoiando iniciativas dos atletas. A iniciativa da LIZMAT é fantástica, trouxe ao conhecimento da população um esporte que não possui tradição nenhuma no país e possibilitou aos amantes e praticantes do esporte um espaço para praticar sua modalidade. Acho que dentro das possibilidades legais e financeiras de cada Prefeitura elas devem apoiar toda a gama de modalidades praticadas no município”

A liga tem como o principal foco incentivar o desenvolvimento e interesse do atleta.  “Acredito que em pouco tempo a LIZMAT será uma vitrine tanto de atletas quanto de profissionais voltados em organização e planejamento”, argumentou Laércio. Já existem equipes grandes interessadas nos atletas envolvidos no projeto da zona da mata. O Vasco Patriotas, uma das maiores equipes do estado do Rio de Janeiro, já demonstrou interesse no Linebecker Fabio Longatto, que atualmente joga para a equipe do MB Primatas. “Se o Futebol Americano tivesse esse incentivo, tenho certeza que a realidade seria outra e com certeza seria muito mais fácil me tornar um jogador profissional e buscar  sim uma carreira de sucesso no esporte”, disse Fábio.

Com o próprio esforço

De acordo com a modalidade praticada, como se espera, a dificuldade é diferente. Algumas modalidades buscam a iniciativa privada, como é o caso do Handebol, que falamos no inicio da matéria. E outros que precisam da iniciativa pública, por movimentar uma renda de custeamento maior e um maior número de pessoas como no caso do futebol e do crescente futebol americano que, mesmo sem o incentivo público, busca caminhar com suas pernas em busca de visibilidade para conseguir tal apoio.  Como Leandro Bonfá diz, “nunca pense que só você tem uma idéia, sempre vai haver algumas pessoas com pensamentos parecidos, então devemos investir e manter o pulso firme para depois podermos colher os frutos do trabalho”. Sabe-se que as cidades da região têm seus orçamentos bem comprometidos e investir em um esporte que pode não gerar retorno financeiro à cidade. Ao que tudo indica, os projetos esportivos e os atletas precisam se manter com seu próprio esforço em busca de melhores resultados e visibilidade. Para, assim, conseguir o almejado patrocínio público ou privado, dependendo da necessidade da modalidade.

Por Luis Guilherme Brum

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